Do best-seller “A Cura através da Terapia de Vidas Passadas”, do Dr. Brian Weiss, resumi e adaptei o seguinte caso real ocorrido em seu consultório de Miami (EUA): “Linda sente-se mal quando usa colares ou qualquer outra vestimenta que toque em seu pescoço. As golas de suas roupas ficam alargadas de tanto serem puxadas. Nunca fecha o último botão de qualquer blusa. Desde a adolescência tem asma. Depois de tentar, inutilmente, inúmeros tratamentos convencionais, resolve tentar a cura através da terapia de vidas passadas. Tem pesadelos, fobias e ataques de pânico. Depois de várias tentativas de relaxamento, o médico resolve tentar a hipnose. Instrui-a a resgatar o ser vulnerável de sua infância, através do seu ser adulto atual. Por cerca de noventa minutos “limpa” sua infância. Quando finalmente emerge do estado hipnótico, sente-se melhor.
Linda volta a cantar, coisa que adorava e não fazia mais desde a infância. Menos ansiosa, seu estado de espírito melhora. Mas, os medos persistem. A asma persiste. E permanece a aterradora ideia de asfixia. Ainda não suporta qualquer objeto próximo de seu pescoço. Na sessão seguinte, o profissional usa a técnica de indução rápida, que produz um nível profundo de hipnose em trinta segundos. Linda começa a soluçar e arquear o pescoço.
Vão me por na guilhotina! Grita apavorada. Observa-se sendo decapitada. O médico repassa essa cena da morte várias vezes, até ela conseguir contar calmamente o que havia acontecido na vida anterior. Reconhece no algoz que a encaminhou à execução, pessoa muito próxima da atual encarnação. Agora entende o porquê de suas desavenças.
Ao final da regressão, Linda abotoou sem hesitar o botão de cima da blusa. Estava curada. Os sintomas não voltaram. – O que você precisava aprender com essas experiências? – Perguntou o terapeuta a Linda. -Não odiar! Devo aprender a perdoar e não odiar.” Dr. Brian percebeu claramente que, a partir da cura física, iniciava-se também o processo do perdão.
O esquecimento do passado é providencial. Priva-nos do que nos faria mal. Se tivéssemos grandes virtudes, não precisaríamos retornar à experiência física. A recordação indiscriminada poderia nos humilhar ou exaltar o nosso orgulho. Daí recebermos uma existência novinha em folha, sem nos lembrarmos de quem prejudicamos, nem de quem nos prejudicou. Ficam apenas as reminiscências. Vocações inatas que nos impelem para este ou àquele caminho. Aversões antigas, amores santificantes, gostos aprimorados, aparecem em nossas mentes como lampejos em fração do nosso mundo consciente.
Todavia, dentro dessa necessária obscuridade, quando algumas recordações podem nos fazer bem e tornar mais leve o fardo da presente existência, Deus permite que delas tomemos conhecimento. E a ciência atual está colhendo preciosos frutos dessa incursão ao inconsciente humano. Terapeutas conscientes e responsáveis como o Dr. Brian Weiss, estão autorizados a levantar uma ponta do véu do esquecimento. E a tornar pessoas traumatizadas em pessoas normais e felizes. Além de curar doenças, espantar medos e eliminar áreas de pânico, esses modernos investigadores da mente humana estão promovendo o perdão e a reconciliação. Estão no caminho certo. Estão promovendo a parte mais importante do processo da cura: A Cura do Espírito.
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Sidney Francese Fernandes
É espírita desde a infância, voluntário e orador do Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru-SP, faz palestras por todo o Brasil, funcionário aposentado do Banco do Brasil, colunista da Rádio Alô, e divulgador da mensagem cristã por todos os meios e mídias possíveis.
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